Carcinoma Basocelular

O carcinoma basocelular é o câncer de pele mais frequente no Brasil e no mundo. Tende a crescer de forma lenta e raramente se espalha para outros órgãos (1 a cada cem mil casos). Entretanto, localmente pode invadir estruturas vizinhas quando não tratado ou quando tratado inadequadamente.

Áreas expostas ao sol, especialmente na cabeça e no pescoço. Entretanto, com menor frequência, pode ocorrer em partes do corpo protegidas do sol.

O carcinoma basocelular pode se manifestar de diferentes formas, dependendo do subtipo histológico (forma como se organiza microscopicamente), sendo que há 5 subtipos principais:

Nodular ou sólido: manifesta-se geralmente com um aumento de volume na área afetada, levemente translúcido (aspecto “perolado”), ou avermelhado. Pequenos vasos sanguíneos são frequentemente visíveis.  Em alguns casos pode ter áreas castanhas.   

Superficial: mancha avermelhada que pode ter pequenas feridas. Essa forma é mais comum no tronco.

Micronodular: elevação esbranquiçada na pele podendo ter áreas avermelhadas. 

Infiltrativo: mancha firme semelhante a uma cicatriz, sem uma borda claramente definida. 

Esclerodermiforme: semelhante ao infiltrativo, mas geralmente mais endurecido.

Importante mencionar que cerca de 1/3 dos carcinomas basocelulares apresentam mais do que um subtipo, podendo combinar as características acima. Além disso, em raros casos, pode se manifestar de outras formas.

Geralmente, o carcinoma basocelular é indolor e não coça. Em alguns casos, pode sangrar após trauma leve como encostar a toalha, ou de forma espontânea.

A maioria dos carcinomas basocelulares é causada por exposição a longo prazo à radiação ultravioleta (UV) da luz solar.

- Exposição solar ao longo da vida, incluindo a infância e adolescência. O dano da radiação ultravioleta é cumulativo, ou seja, mesmo após um longo período sem se expor ao sol, o câncer de pele pode se desenvolver. 

 - Pessoas de pele, cabelos ou olhos claros. Entretanto, também é comum em pessoas de cabelos castanhos e/ou com pele morena.

 - Aumento da idade. A maioria dos carcinomas basocelulares ocorre em pessoas com mais de 60 anos. Mas também pode afetar adultos mais jovens e está se tornando mais comum em pessoas entre 20 e 30 anos.

 - História pessoal ou familiar de câncer de pele. 

 - Pacientes que foram submetidos à radioterapia por outras causas podem desenvolver carcinoma basocelular na região tratada. 

 - Uso de medicamentos imunossupressores (que suprimem o sistema imunológico).

 - Certas doenças genéticas raras podem aumentar o risco de carcinoma basocelular, incluindo síndrome de Gorlin e xeroderma pigmentoso.

O carcinoma basocelular cresce lentamente. Entretanto, ao longo do tempo, pode invadir estruturas profundas como cartilagem, músculo ou osso. Em raríssimos casos, pode se espalhar para gânglios ou outros órgãos.

 - Evitar exposição solar entre 10h00 e 16h00.

 - Usar protetor solar o ano todo, de preferência de amplo espectro e FPS > 30, mesmo em dias nublados.

 - Usar óculos escuros e chapéu.

Apesar de não evitar o surgimento do carcinoma basocelular, visitas regulares ao dermatologista auxiliam no diagnóstico precoce. 

Muitos tumores podem ser diagnosticados pelo exame físico. Geralmente é realizada uma biópsia de pele que, além de confirmar o diagnóstico, ajuda a definir as características do carcinoma basocelular, influenciando diretamente na escolha do tratamento.

A escolha do tratamento depende de alguns fatores como local da lesão, subtipo histológico (sólido/nodular, superficial, micronodular, infiltrativo ou esclerodermiforme), tamanho, se é bem ou mal delimitado, e se é recidivado (já tratado anteriormente). Tumores localizados no rosto geralmente têm indicação cirúrgica, pois é o tratamento com maior chance de cura. 

Cirurgia micrográfica de Mohs

É o método com a maior taxa de cura e que possibilita preservar pele sadia. Durante o procedimento, as margens cirúrgicas são removidas e examinadas no microscópio até que não restem células tumorais. Isso permite que o cirurgião de Mohs tenha certeza de que todo o câncer foi removido sem sacrificar pele saudável. 

A cirurgia de Mohs normalmente é indicada na presença de ao menos um dos critérios abaixo:

- Tumores no rosto.

- Bordas mal delimitadas.

- Subtipo agressivo.

- Tumores recidivados.


Cirurgia convencional

Neste procedimento, o médico retira o tumor visível e uma margem ao redor aparentemente saudável (“margem de segurança”). O tecido removido é examinado no microscópio dias depois e em pequenas amostras (cerca de 1% das margens são avaliadas).

A cirurgia convencional é indicada para boa parte dos carcinomas basocelulares, geralmente localizadas no tronco e membros. Também pode ser realizada no rosto, mas implica na remoção de mais pele ao redor do tumor (“margem de segurança”).


Curetagem e cauterização

Esse método consiste em remover a superfície do câncer de pele com um instrumento de raspagem (cureta) e depois cauterizar a base do câncer com um bisturi elétrico. Pode ser uma opção para o tratamento de pequenos carcinomas basocelulares superficiais ou nodulares localizados no tronco e nos membros. Em alguns casos, a curetagem pode ser realizada sem a cauterização.


Radioterapia

A radioterapia utiliza feixes de alta energia para matar células cancerígenas. Pode ser indicada quando o paciente não pode ser submetido à cirurgia. Em raros casos (quando há invasão de algum nervo grande pelo câncer, por exemplo), radioterapia é usada como tratamento complementar após a cirurgia. 


Criocirurgia

Este tratamento envolve o congelamento de células cancerígenas com nitrogênio líquido. Pode ser uma opção para o tratamento de carcinomas basocelulares iniciais, superficiais e localizados no tronco ou membros. 


Tratamentos tópicos

Cremes ou pomadas podem ser considerados no tratamento de carcinomas basocelulares superficiais localizados em áreas como tronco e membros.


Terapia fotodinâmica

Este tratamento consiste na aplicação local de um medicamento que torna as células cancerígenas sensíveis à luz. Em seguida, a área é exposta à luz, que destrói as células cancerígenas. 

Devido à limitada penetração na pele, a terapia fotodinâmica é apenas indicada para carcinomas basocelulares superficiais. Mesmo nesses casos, a taxa de cura é de aproximadamente 60%.